
A exposição “Expressões”, dedicada à obra de Siron Franco, mergulha em temas como memória, violência e os símbolos que ajudam a construir a experiência brasileira. Ao longo de mais de cinco décadas de produção, o artista desenvolveu uma linguagem própria, em que a pintura deixa de apenas representar a realidade para provocar reflexão, trazendo à tona tensões históricas que ainda permanecem abertas.
Mais do que uma retrospectiva tradicional, a mostra reúne, em uma curadoria cuidadosa, mais de cem obras escolhidas por sua força e intensidade. O percurso conecta diferentes momentos da trajetória de Siron Franco sem seguir uma ordem rígida. Trabalhos do início da carreira, como “Arca de Noé” e “Pietà” (1961), produzidos quando ele tinha apenas 14 anos, aparecem ao lado de obras recentes, como “Imigrantes” (2025). Essa aproximação evidencia não uma evolução linear, mas a continuidade de um olhar artístico atento às fraturas e desigualdades presentes na sociedade brasileira.

Desde o período da ditadura militar, Siron Franco consolidou-se como uma das vozes mais marcantes da arte brasileira ao transformar experiências de repressão, silêncio e violência em linguagem visual. Sua obra não apenas registra esses acontecimentos, mas faz com que eles permaneçam vivos, criando um diálogo constante entre passado e presente. Em “Expressões”, a memória aparece como algo ativo, que continua reverberando e influenciando o imaginário político e social do País.
Esse aspecto ganha ainda mais força na abordagem do acidente radiológico de Goiânia. Ao transformar a tragédia em matéria artística, Siron Franco cria uma poética marcada pela ideia de contaminação e permanência do trauma. Em vez de oferecer respostas ou fechamento, as obras mantêm viva a ferida da memória, recusando o esquecimento e convidando o público a encarar esse passado incômodo.
Nascido na cidade de Goiás, o artista é pintor, escultor, ilustrador, desenhista, gravador e diretor de arte. Siron Franco foi premiado em 1968 na I Bienal da Bahia, em 1973 foi reconhecido no I Salão Global da Primavera, realizado pela Rede Globo de Televisão, e ganhou os maiores prêmios da XII Bienal Nacional de São Paulo, em 1974 e XIII Bienal Internacional de São Paulo, em 1975. Recebeu ainda o Prêmio de Isenção de Júri e o Prêmio Máximo das edições XXIII e XXIV do Salão Nacional de Artes Plásticas, no Rio de Janeiro, em 1974 e 1975, os mais importantes prêmios nacionais, além de bem-sucedidas exposições individuais.
Sua obra e estilo são inspiradas no surrealismo crítico e abstrações com temáticas de direitos humanos, ecologia e tragédias como o acidente radiológico com o césio-137; Suas obras estão presentes nos mais importantes museus do Brasil, como: MASP (São Paulo), MAC (São Paulo), MNBA (Rio de Janeiro) e MON (Curitiba) e do mundo como no Metropolitan Museum of Arts (The Met) em Nova York nos Estados Unidos e no Museu de Arte Contemporânea de Monterrey no México.

A exposição está aberta para visitação de segunda a domingo, das 9h às 17h.
Sim, totalmente gratuita e aberta ao público.
Sim, porém não é permitido o uso do flash da câmera.
Sim, grupos escolares, de instituições sociais e demais grupos podem agendar uma visita por telefone ou e-mail.
Pelo telefone (62) 3201-9863 ou pelo e-mail coloca o da exposição correspondente.